Até o advento da crise em set/2008 as grandes responsabilidades cobradas dos presidentes do FED sempre foram a inflação e o nível de emprego associado. Como instrumento principal da Política Monetária, a taxa de juros adequada é operada através dos mecanismos do open-market, do redesconto e das reservas compulsórias.
A novidade trazida pela crise foi intensificar a demanda por políticas regulatórias. As evidências da presença de arranjos financeiros desastrosos e inadequados para o funcionamento das economias estão por toda parte.
A constatação da existência de um número excessivamente elevado de instituições catalisadoras de risco sistêmico, continua a ser um desafio a ser encarado de frente por toda a comunidade de países.
A presença de Paul Volcker à frente de um grupo de conselheiros do presidente Barack Obama, responsável por avaliar as efetivas possibilidades de tornar operacionais as principais propostas de Reforma Financeira por ele encaminhadas ao Congresso, tem sido parte importante de sua estratégia e revela seu empenho em promover mudanças.
A disposição e o sucesso com que Volcker enfrentou a inflação nos EUA na década de 80, quando chegou a superar os 15,00% ao ano, foram decisivos no seu credenciamento para essa nova tarefa.
Os economistas brasileiros que atuavam na análise macroeconômica naquele período, não esquecem que a brutal elevação das taxas de juros norte-americanas, que mirava combater a inflação doméstica, acabou levando o Brasil a enfrentar um verdadeiro choque de juros, que teve como principal conseqüência a moratória da dívida externa em 1982.
Agora, a tarefa de Volcker é bem diferente. Não se situa sobre o mandato do combate à inflação, clássico da política monetária, mas, em vez disso, diz respeito a questões regulatórias.
Entre tantas outras tarefas voltadas para a estabilidade financeira, a nova regra de Volcker deve ser capaz de enfrentar o desafio de gerenciar o risco sistêmico oriundo das interconexões globais entre moedas, depósitos e produtos financeiros, cuja sofisticação associada ao gigantismo de algumas instituições financeiras elevou os riscos macroeconômicos a níveis excessivamente altos.
A crise financeira em set 2008, apenas confirmou o grande equívoco cometido quando se adotou a premissa da autoregulação plena dos mercados financeiros.
De positivo ficou a oportunidade posta pela crise de abrir espaço para uma nova síntese, onde a opção pela sustentabilidade econômica passou a colocar a Estabilidade Financeira no mesmo plano de importância do controle da Estabilidade de preços e da inflação.
A boa notícia fica por conta do sucesso de Obama em costurar no Congresso um novo acordo em torno da Reforma Financeira, resgatando partes importantes já tidas como derrotadas em suas primeiras investidas.
O restabelecimento da Lei Glass-Steagall (Muralha da China), acoplada ao desmembramento progressivo das instituições geradoras de risco sistêmico, acompanhadas pela atribuição formal de mandato específico para o acompanhamento e gestão do risco sistêmico a uma Agência Central de Supervisão de Serviços financeiros subordinada ao Departamento do Tesouro, descrevem o núcleo principal da Reforma Financeira nos EUA.
Assim, pode-se considerar como bem sucedida a estratégia seguida, pois ,segundo a avaliação do próprio presidente Barack Obama, foram aproveitadas em torno de 90% as idéias originais mais importantes.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
O conhecimento ajuda a população a amadurecer
O baixo astral pela derrota para a Holanda nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010 não foi capaz de abafar a euforia entre os formandos dos MBA em Finanças e Administração da FGV-RJ na última 6ª feira, 2/7/2010.
A possibilidade de reencontrar nossos alunos no momento de sua formatura é sempre um grande prazer para os professores.
Intermediar a aquisição de conhecimento para as novas gerações distingue sobremaneira os operadores dessa atividade fundamental.
No momento em que se encerra mais um curso em nossas vidas, a impressão que mais nos emociona é a de que os novos conhecimentos podem nos levar adiante em nossas carreiras e valorização profissional.
Entregar diplomas e certificados tem grande força simbólica. Significa aproximar os alunos de um futuro melhor.
O conhecimento vai além da valorização profissional, pois funciona ao mesmo tempo como instrumento de inclusão e cidadania, nacional e cada vez mais global, operando com harmonia nas dimensões científica e comportamental.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
INSUFICIÊNCIA DE POUPANÇA DOMÉSTICA AMEAÇA CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL
Seja para evitar uma valorização excessiva de sua moeda, ou mesmo para viabilizar a emissão de nova dívida pública, a presença de níveis de poupança doméstica, pública e privada, adequados, é um imperativo moderno fundamental.
Assim procedem a China, Rússia, Japão, Índia e Coréia do Sul, grandes detentores de reservas internacionais, juntamente com os US$ 250 bilhões do Brasil.
Os 16% de taxa de poupança em relação ao PIB verificados no Brasil tem sido claramente insuficientes para fazer frente à aquisição do estoque atual que se situa em torno de US$ 250,00 bilhões de Reservas Internacionais.
Em consequência, a emissão de moeda e a subsequente emissão de dívida pública ficaram bastante pressionadas, crescendo acima dos 15% ao ano nos últimos doze meses.
Sem poupança interna em volume suficiente para evitar uma valorização ainda maior do Real, o Brasil enfrenta uma dificuldade adicional de descontrole fiscal que o leva a realizar através de novos títulos públicos uma antecipação intertemporal de receitas, sacando e de maneira cada vez mais intensa sobre as poupanças futuras.
Como a demanda para emissão de novos títulos deve aumentar ainda mais para fazer frente à falta flagrante de títulos públicos de que reclama o Banco Central, pressionado que está pelo alto volume de operações compromissadas overnight, devemos nos preparar para anos futuros de vacas magras, com forte aperto fiscal e monetário.
A crise do Euro e os PIGS estão por aí para nos mostrar que ignorar a questão fiscal não traz resultados sustentáveis para as economias. Isto se aplica também à maior das economias, os EUA, onde o governo de Barack Obama já trata como estratégico o objetivo de conter seus gastos fiscais, acompanhando o bom ajuste comercial obtido.
Tudo isto já nos alerta para a redução dos graus de liberdade da economia brasileira a partir de 2011. O aperto da restrição fiscal que fatalmente virá, deve-se iniciar logo depois das eleições, e vai representar um resgate das práticas saneadoras que nortearam a edição das Leis de Responsabilidade Fiscal, conhecida como Lei Complementar 101/2000.
Esse dispositivo que está completando dez anos, e foi responsável por completar de forma brilhante o arcabouço institucional da Política Econômica, revela-se mais importante a cada dia que passa, validando com sobras todo o desgaste político enfrentado a partir de 1994 para garantir a estabilidade.
Em sua origem estão as influências do ambiente de transparência fiscal trilhado pela CEE – Tratado de Maastricht, o Budget Enforcement Act – EUA e as linhas principais de ação do Plano Real.
Em termos nacionais foram necessários alguns anos para convergir para sua versão final na sequência do Programa de Apoio à Reestruturação e Ajuste fiscal dos Estados brasileiros – conforme a Lei Nº 9496, de 11 de setembro de 1997.
Esta lei contribuiu sobremaneira para consolidar a estabilidade, potencializando os efeitos positivos do processo de privatização, especialmente no que se refere aos bancos estaduais.
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Quem sou eu
- Mario Leal
- Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
- Macroeconomista, Consultor e Professor da Fundação Getúlio Vargas - FGV e da FK Partners. Autor do livro Saia do Vermelho - Editora Qualitymark
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